Clarice LISPECTOR

“[…]
Silêncio.
Se um dia Deus vier à terra haverá silêncio grande.
O silêncio é tal que nem o pensamento pensa.
O final foi bastante grandiloqüente para a vossa necessidade? Morrendo ela virou ar. Ar enérgico? Não sei. Morreu em um instante. O instante é aquele átimo de tempo em que o pneu do carro correndo em alta velocidade toca no chão e depois não toca mais e depois toca de novo.
Etc. etc. etc. No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada.
Eu vos pergunto:
— Qual é o peso da luz?

E agora — agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas — mas eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
Sim.” (LISPECTOR, 1998, p. 187)

Referência bibliográfica

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 87 p.

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