Um sinal de liberdade. Para dar o ritmo…

Posted in Filosofia, Literatura, Sociologia with tags , , , , , , , on março 21, 2011 by lesdommag3rs

Seis e pouco da manhã — numa segundona chuvosa. Acessando um site de e sobre ateus. E — para completar a “festa” (risos) — ouvindo “Sledgehammer” do Peter Gabriel. Tudo isso dando o ritmo. (O ritmo para as coisas que poderão vir e mudar tudo. Tudo? Tudinho… Entre nós… e eles. E outros nós. E outros eles… E mais ainda…)

Sérgio C. Gelassen, Um sinal de liberdade

Ela sabe exatamente o que fazer…

Posted in Drama with tags , , , , , , , on dezembro 12, 2010 by lesdommag3rs

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Estive apenas pensando. E já sei o que fazer. Eu, uma puta oculta em minhas imundícies. Meus amantes me entregaram. Estou imunda. Fodida em tudo. Ninguém mais quer me traçar… Já Elvis… Começo a carregar minha sacola — cheia de dor. Eles não me querem mais — não tenho a ninguém… Só eu e minhas roupas do corpo. Não sei se vou procurar por ele na USP ou mesmo lá… Mas… será que W. ainda me quer? Será? Talvez dê certo… Caso eu não me mate primeiro… Com meus demônios me tentando tanto…”

Sérgio Gelassen, Troca comigo?

De repente — Eu quero ver

Posted in Romance on novembro 30, 2010 by lesdommag3rs

— De repente você acorda sabendo fazer tudo o que sempre quis saber fazer mas nenhuma escola, instituição superior de ensino ou o diabo que fosse pôde ter ensinado você…

— Tá. E o que eu faria então?

— Tentaria continuar vivendo. Com tudo isso.

— Interessante: ‘continuar vivendo’.

Sérgio Gelassen, Quem vem agora?

Cidade Crua

Posted in Uncategorized on novembro 26, 2010 by lesdommag3rs

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Eu. O homem com a harmonica. Abrindo caminho para o casal devasso poder passar. Seguir caminho até o apocalipse inicial — ai! Choro só de ver que ninguém chora por aqui…

Sérgio C. Gelassen, Prostituta Chinesa Infantil

Schweinerei – Keep Sucking On…

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , on novembro 25, 2010 by lesdommag3rs

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Ela me perguntara: ‘Você está louco?’ ‘Se sei que estou ficando louco não devo estar maluco…’, eu respondi. Sua genitália cheirava a allium cepa. Talvez fosse isso um remédio. Ou o efeito do uso contínuo de algum, sei lá… (Hummm… que remédio aquele, hein?). Em minha hora de maior necessidade você não estava lá, Porcaria. Mas isso em 1996. E nada mais. Por duas, três semanas. A elegância jamais brilhou em mim. E, sem essa graça, essa dádiva espiritual, a solidão me acompanhou muuuito bem. Ela me oferecia coisas que tu não oferecia… E ela ultrapassava-te na generosidade. Todos esses anos achei que eu fosse o culpado. Talvez eu fosse o res-pon-sá-vel por tudo. Mas a culpa, ainda assim, era tua. Só tua. E de quem te acompanhava. A música, criatura imunda, ainda toca alto aqui, vadia imunda. E outros lixos tomaram o teu lugar. Minhas mãos estão sujas. Por ter tocado em ti. O tempo, essa estrada tão estranha, toma tempo, de uma forma não menos estranha. Encontro meus fantasmas, às vezes. Ávidos por conversar comigo. E tu? E tu? Já encontraste teus demônios, teus vermes imundos, sórdidos? As pedras que batem por dentro em tua cabecinha tão vazia, Porcaria? Que possa o dinheiro, o sexo, as drogas, teus parentes doentes, acompanharem-te. Como Deus faz com os miseráveis. Para a frente. E para trás…”

Sérgio C. Gelassen, Remergência

Mandrakron – Senhor Absoluto

Posted in Literatura with tags , , , , , on novembro 23, 2010 by lesdommag3rs

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Humpf! Patife. Velho safado. Conhecia cada truque. Cacete! Cacildis! Tá doido, sô?! Achei o diário do inigualável Dr. Akron. Filho de uma égua… O veinho podia tudo: nada lhe era impossível, véi! Tá doido, sô! Fiquei com o diário. E sou seu sucessor. Muito aprendi ao passar os olhos sobre as páginas do diário do homem. E agora posso fazer tudo — e muuuito mais — com os conhecimentos que o véio deixou… Um grimoir de ouro. Um vade mecum irado. E agora até o Diabo pode ser manipulado por mim… Eu vou, eu sou, eu farei!”

Sérgio C. Gelassen, Mandrakron – Senhor Absoluto

(Além do mais) Rosenita

Posted in Literatura on novembro 17, 2010 by lesdommag3rs

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Segue um diálogo que integra minhas mais estranhas experiências como ser humano. Data de uma noite perdida (no tempo, pois não me recordo muito bem a data, tampouco o ano em que ocorrera), mas memorável. Tive de passar por uma casa abandonada e lá conheci uma moça muito
atraente que estava disposta a conversar a noite inteira sem perder o fôlego. Lembro-me de algumas coisas que disséramos um ao outro. Pois bem… ei-las:

— Boa noite, Senhora. Desculpe-me, pois eu não sabia que poderia encontrar alguém por aqui, ainda mais a esta hora da noite…

— Boa noite, moço. Fique à vontade. Há um tempo estou por aqui. O lugar me diverte: é frio, seco, solitário, nunca aparece ninguém… Do que posso reclamar?

— Heh-heh… Perdoe-me, mas… Deus… como posso dizer… bem, bem… olha e eu é que achava que era o único estranho por aqui… Estranho mesmo, mais estranho que ficção… Olhe só…

— Nada debaixo do sol é estranho em demasia, ‘Sr. Estranho’ — se assim posso chamá-lo, moço… Tu és professor, correto?

— Nooosssaaaa! Como você sabe? Como percebeu?

— O que te posso adiantar é que tu falas como um. Veste-se como um. Apresenta-se como um. E emana uma energia de quem leva a vida a lecionar. E que tem uma certa queda para os estudos.

Tua área são as Letras, não é? Letras e a Filosofia. Ou não?

— Minha Nossa Senhora! Virgem Santíssima! Como é que tu podes saber taaanta coisa sobre mim, mocinha?

— E tua idade? Tu tens por cima uns 34 anos… Nada além disso!

— Novamente estou pasmado! Besta! Bobo! Acaso sabes mais algum detalhe sobre minha vida? Está tudo deveras estranho!

— Tens tempo? EStás mesmo a fim de conversar? Tens paciência?

— Tudo. Exceto muuuuito paciência. Ter paciência em boa quantidade nuuunca foi meu forte (risos).

— Pois que assim seja. Relaxe. Sente-se.

— Não. Sente-se a senhora primeiro.

— ‘A senhora primeiro’. Falas como um cavalheiro. Deve apreciar os tempos idos, ler Machado

de Assis ou literatura similar…

— Bem, bem… Passou perto — no caso do BRuxo de Cosme Velho. Aprecio, sim, os tempos idos — época em que não havia taaanto lixo no mundo…

— E esse ‘lixo’ que tu tanto dizes há muito tempo são as pessoas que tu não gostas, que tu não aceita, que te desagradam, não é?

— Palmas para a Senhora…

— Rosenita. Pode me chamar assim.

— Nooosssa! Que nome diferente… E tinha que trazer um nome tão comum antes, né?

— O ‘da Rosa’, não é mesmo? Refere-se a ele, não?

— Sim, sim… Falemos disso depois… Por ora quero mais é conversar contigo… Nem que for a noite inteira…

— Pois se não problema para tanto, conversemos, pois.

— Ok, ok… E qual é o meu nome?

— Wellington.

— Ah, não é possível! Como sabes meu nome? Devo ter lhe dito em algum momento de nossa conversa, não?

— Não que eu me lembre. É que sei tantas coisas sobre tanta coisa na vida… E agora sei mais, porque tenho alguém para conversar…

— Hummm… ‘Agora tenho alguém para conversar…’ É… Parece que eu também…

— (Rindo um pouco). Interessante momento este…

— Sim.

— Ok, Wellington. Quer falar do que?

— Meu Deus… Nem sei ao certo. Mas… Já leu H. P. Lovecraft? Allan Poe?

— Eu amava esse tipo de literatura. Lovecraft abusava um pouco dos adjetivos, isto é notório. Mas sabia conduzir seus contos. Poe parecia ser alguém muito doente — seja da mente, seja do corpo… Seja da alma…

— Caramba, Rosenita, você conhece mesmo os trabalhos dos caras, hein?

— Ah, eu lia muito quando mais nova… Mas não pergunte a minha idade… É complicado, tu haverás de saber…

— Como sabes que eu iria perguntar?

— O que posso te garantir é que, pelo teu semblante, pela forma como mudaste tua fisionomia, como teus olhos se mostraram, era bem essa ou qualquer pergunta similar que iria me fazer, Wellington…

— Olha, Rosenita, dá até medo de pensar algo perto de ti, sabe? Parece que tu tens uma bola de cristal, mulher…

— São coisas que levei um tempo para aprender… Mas… Valeu a pena esperar…

— Ok… Mas… Me diga uma coisinha:

— Se moro por aqui? Se moro aqui?

— Isso mesmo…

— Passo por aqui todas as noites.

— E…

— Bem, você está com um pouco de pressa, W. Caaalmaaa… Isso que você ia me perguntar não poderei te responder agora…

— Tá bom…

— Continuando, é mesmo um mistério para todos nós o porquê da Vida. E da morte. Se Deus existe ou não… Todo mundo passa a vida a perguntando, mais ou menos, sobre coisas desse tipo… Não posso ir muito além dessas minhas observações — eu poderia ser advertida por eles — os outros.

— Seria você um fantasma, então?

— W., você está entendendo errado as coisas… Fantasmas — isso mesmo, ‘imagens’, em grego, como você bem pensou — não existem. Espíritos sim… Acredite você ou não… Ainda duvida, né?

— Um pouco…

— Um momento, W.

E ela dirigiu-se até o portão da casa. Um portão velho, enferrujado, estranhamente mantido preso à mureta. Acompanhei-a. Até vê-la desaparecer gradativamente, já andando pela estrada. E, ao olhar para trás, quando eu gritei seu nome, sumira de uma só vez…”

Sérgio C. Gelassen, Rosenita