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Sérgio C. Gelassen

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , on março 7, 2010 by lesdommag3rs

“[…]
Leva-se tempo para chegar até aquele lugar. Lugar estranho. Frio, embora seco. Frio, quase gelado. E onde impera um silêncio mortal. Mas pode-se ouvir as centenas de vozes — vozes persistentes, não obstante fossem silenciosas, mas certas de tudo que diziam. Os donos dos discursos, com tamanhos e idades diferentes, pareciam, aqui e ali, convergir em alguns pontos. Todos sabem conversar. Alguns mais, outros menos, com suas diferentes ideias, mas pareciam estar dispostos a dialogar, bastando, para tanto, haver visitantes interessados em procurá-los. Como eu dissera, leva-se algum tempo para chegar até lá. Quem construiu a casa ordenou que o recinto, grande, frio e de aparência estranha — inquietante, embora silencioso — não fosse acessível a qualquer um. Não mencionei os quadros — na verdade fotos emolduradas com vidro e madeira, dispostas como quadros. Talvez porque fique difícil me lembrar dos aproximadamente cinquenta que havia ali. E eram fotos em P&B. Os donos daquelas vozes aguardavam em silêncio, enfileirados. Uma mocinha muito bonita — a qual lembrava um gato branco que eu tive, pela magreza e olhos expressivos comum a ambos — permanecia parada, em pé, ouvindo uma das vozes silenciosas. Eu a chamei, primeiro em tom de voz baixo, discreto. Ela não ouviu. Então, num tom mais alto, eu disse “Moça…” Antes de virar para mim, ao passo que ela tentou fazê-lo, desapareceu. Ela lia um livro cujo título era “A Rosa Graciosa da Terra das Cruzes”. E eu cheguei até aqui para contar isso. Um momento: esqueci-me de dizer que ela caminhava com um jeito de moça delicadíssima que dança ballet. Com efeito, seus passos pareciam passos de ballet.”

Referência bibliográfica

Sérgio C. Gelassen, Tamiris

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Ronald E. BARKER e Robert ESCARPIT

Posted in Literatura with tags , , , , , , , on agosto 28, 2009 by lesdommag3rs

“[…]
‘Por que ler?’ pode-se perguntar. Não existe reposta fácil. No momento atual os meios audivisuais de comunicação não podem dispensar o apoio da palavra escrita. Nem toda a engenhosidade da técnica moderna pode agora, como não pôde antes, impedir que a palavra falada e as imagens acabem-se apagando, enquanto a palavra escrita permanece. Em nossa civilização de transformações, a palavra escrita pode não durar tanto como antes, mas ainda dura o suficiente para conferir ao leitor a força da perspectiva hsitórica, a decisão semântica, a reinterpretação e a crítica retrospectiva – em suma, os meios de sua liberdade.”(1) (BARKER; ESCARPIT, 1975, p. 147)

Referência bibliográfica

BARKER, Ronald E.; ESCARPIT, Robert. A fome de ler. Trad. J. J. Veiga. Rio de Janeiro: FGV, 1975. 188.

NOTA

(1) Não é este o parágrafo que fecha o livro, o qual, por sua vez, consta na página 181. Mas, a julgar pelo conteúdo do excerto apresentado acima, ele bem que poderia se prestar a esse papel. Ademais, ele finaliza uma parte do livro, aquela que antecede a conclusão.