Arquivo para setembro, 2009

Sérgio C. Gelassen

Posted in Filosofia with tags , , , , , , , on setembro 26, 2009 by lesdommag3rs

“[…] Se o mundo é mesmo uma ilusão?
Sim e não. Sim: porque as pessoas aprazem-se, por sentimento e/ou interesse em enganarem-se umas às outras. As pessoas formam o mundo humano. Não: “porque não”. Claro que isto é só uma opinião bem restrita e limitada a respeito do assunto. Na verdade, é bem certo que tudo seja mesmo uma ilusão. Uma ilusão tão disseminada, espalhada, tão acreditada, aceita, bem quista pela “grande maioria” que fica difícil — para não dizer impossível — para qualquer um afirmar ‘sim, tudo, tudo, tudo é uma ilusão’. Haverá quem negue, para retomar o que eu já dissera em algumas linhas acima. Como haverá quem afirme, embora sem muita certeza disso. Que me seja permitido afirmar, de um modo meio wittgensteiniano, que o mistério é tudo aquilo que não se pode explicar. E o que não se pode explicar deve permanecer sem explicação. (A coisa mais fácil do mundo é encerrar um assunto com argumentos óbvios. E convenhamos, como há, em demasia, pessoas que adoram os caminhos mais fáceis. Os quais nem sempre são os mais seguros tampouco os mais certos, diga-se de passagem, sob diversos pontos de vista. Geralmente pertencentes àqueles que procuram observar as coisas além de sua superfície, porque sabem que — quase sempre — há muita coisa por debaixo, muita coisa oculta.)”

Referência bibliográfica

S. Gelassen, Se o mundo é mesmo uma ilusão

Sérgio C. Gelassen

Posted in Literatura with tags , , , , on setembro 24, 2009 by lesdommag3rs

“[…]
A condição humana é de miséria, por mais ricos que sejamos em termos financeiros. E que os otimistas me perdoem por essa minha visão quase niilista do mundo. É algo que tenho observado. Dificilmente admitirão isso. Eu bem o sei. Admitamos: alguns médicos nos pedem exame de fezes porque, todos sabemos, alguns mais, outros menos, que as fezes dizem muito sobre nós. Eis a escatologia humana. Um dia já fomos amebas, seres bem primitivos. Ainda — ao menos muitos de nós — somos. Mas desta vez possuimos computadores, roupas da última moda, mais armamento, mais automóveis caríssimos. E continuamos a fazer de tudo para ocuparmos mais espaço e destruir esse mundo do qual fazemos parte. Dessa vez não falei de Deus. Resolvi deixar o coitado em paz. Só eu sei por que…”

Referência bibliográfica

S. Gelassen, Humano – Vol. II

Sérgio C. Gelassen

Posted in Literatura with tags , , , on setembro 24, 2009 by lesdommag3rs

“[…] Abandone tudo — por uns bons cinco, dez minutos. E volte para o local onde deixou tua vida, teu cérebro, teu coração. Difícil coisa te é saber quando é hora de terminar, uma vez que você já se exterminou. A negação da morte. A negação da vida.
[…]
E nada — nada mesmo — tem o peso, o brilho repleto de mistério, mistério além da morte, de um olhar fixo. É como se a mente tentasse escapar por ali — mas ficasse meio sem graça de escorrer pelo ambiente em que estamos — e virar fumaça ou gelatina…”

Referência bibliográfica

S. Gelassen, Humano – Vol. I

Sérgio C. Gelassen

Posted in Literatura with tags , , , , , , on setembro 24, 2009 by lesdommag3rs

“[…] Tudo foi explicado — pelo menos em boa parte — nas palavras de Mustaine: ‘subir bem alto, tão longe até cair/um plano de dignidade e equilíbrio para todos’. Pronto! Alguém aí já trouxe a escada? A corda? A garrafa? Os copos? Estejamos vestidos a rigor. De preferência em preto. Que é para impressionar. Alguém além de nós? Alguém aí? Ouvi teu nome? Vem, vem com a gente. Abandonar tudo, em nome de um pesadelo, não pode ser, afinal de contas, algo assim tão ruim. Basta (des)acreditar. E deixar o cérebro — a mente, para sermos mais (ou menos…) exatos — rodopiando, em movimentos espirais. Aspirar (a um ponto mais alto). E pirar. E — o que é mesmo o que eu ia dizer?”

Referência bibliográfica

S. Gelassen, Ausências de compreensão: não somos, não seremos — adeus!

Sérgio C. Gelassen

Posted in Literatura on setembro 24, 2009 by lesdommag3rs

“[…] O mundo com Deus (criado pela religião) ficou demasiadamente fantástico — no sentido pejorativo do termo fantástico, isto é, cheio de fantasias, de quimeras, mitológico demais. O mundo ateísta convicto, por outro lado, tornou a vida uma dureza desgraçada, algo como dar um beijo (de língua, óbvio) apaixonado em uma (boca modelada em) pedra. Becker(1) escreveu uma obra interessante — “A negação da morte”. Quero ver quem irá assumir — ‘comprar a briga’, ‘peitar uma multidão’ –, dessa vez, com todo brio e altivez, a autoria de um título a altura do supracitado. Nada menos que ‘A negação da vida’. A quem tentar, meus mais sinceros cumprimentos. Coragem, senhores. Parafraseando Firmino Costa, ‘Eia! Avante! Nenhum passo atrás…'”(2)

Referência bibliográfica

S. Gelassen, Para nós – para vós ou Esquecer é fingir

NOTAS

(1) BECKER, Ernest. A negação da morte.

(2) COSTA, Firmino. Helena Keller. In: ALVARENGA, Lúcia. Seleta.

Sérgio GELASSEN

Posted in Filosofia with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 11, 2009 by lesdommag3rs

“Quais danos não marcarão este mundo por tempo indeterminado? A julgar pela quantidade avassaladora de espíritos fúteis, inférteis, essa podridão humana que tanto espaço ocupa neste planeta castigado, ferido, tornado corrupto por líderes religiosos e políticos, a morte poderia libertar mais desesperados por justiça. Todos somos culpados, inocentes ou não… Malditos sejam os vossos descendentes, tumores humanos de toda estratificação social, tal é a tua condição de podridão espalhada sobre a terra. Poe invejaria viver nesta época! Poe daria a vida por ela! Ah, o vazio humano! A podridão humana no poder! Tudo é culpa do homem, tudo é culpa de Deus. Tudo é nada! Tudo! Tudo NÃO É!

Sérgio GELASSEN, O que não é, será.

Sérgio GELASSEN

Posted in Drama, Literatura, Romance with tags , , , , , , , , on setembro 11, 2009 by lesdommag3rs

“[…] Isso é verdade, eu sinto isso. Ela poderá se olhar no espelho, agora, ou melhor ainda: voltar-se a si mesma e ver se vale a pena continuar errando (ou devo dizer vivendo???). Deus está como sempre esteve: de costas. E fez o homem, este ser miserável, à sua imagem e semelhança: o amargo sabor de uma verdade.” (GELASSEN, 2009, p. 333)

Referência bibliográfica

GELASSEN, Sérgio. Quando as lágrimas se transformam em fezes. São Paulo: Peru Colorido, 2009. 333 p.